sábado, 24 de maio de 2014

A gente finge que esquece, finge que deixou pra lá, finge que não tem tanta importância ou que não foi nada demais. A gente deixa nosso orgulho e nossas vontades de lado. Se anula. Se entrega. Faz malabarismo. Tudo isso pra ter a companhia de alguém. Tudo isso por sentir que, por essa pessoa, vale o risco, o trabalho e até a queda.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Life and love


      Há algo mais leve que um sorriso? Ou um abraço apertado que deixa amavelmente preso sem que queiras sair? Até um beijo na testa depois de um olhar profundo, ou um simples arfar no ouvido acompanhado de um tocar de mão constituídos de afagos intrigantes. Existe coisa que alcance tamanha sinceridade? Ou algo mais marcante que o primeiro beijo?


      A vida é feita de momentos marcados e remarcados pelas escritas tortas e desalinhadas da vida. Momentos marcantes sempre me lembram amor. Me diz porque a vida não pode ser feita só de coisas boas se não há nada mais curador que um toque de paixão e uma enorme porção de amor?
        Amor é o que muda, é o que restaura, é o que renova. Amor é o que consegue transformar qualquer DNA mal fabricado pra um sangue puro e um pulsar mais leve. Amor é aquilo que não se dá pra passar em algumas linhas de uma folha de papel, mas ocupa todo nosso diâmetro do músculo cardíaco. Levezas como essas o vento não leva. Aliás, nada leva. Essas são coisas que ficam e cravam suas unhas em nossa alma de um modo que dificulta saída. E de fato elas tem que ficar. Pois são coisas como essas que nos fazem ser humanos, nos fazem carne, osso e alma. São coisas que alegram a vida e a enche de sabores.

        São coisas que o vento não leva porque se tornam tão pesadas que nem o mais forte dos furacões pode levá-las.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Grande passo

Fiz uma grande escolha, aquela que muda toda a minha vida que ainda está por vir. Eu fiz a escolha certa, eu só sei disso.
Não foi fácil. Claro que não, e por mais que digam que eu estou indo para me livrar de tudo, não é bem assim, só quero me livrar de certas coisas. Mas isso é um problema? Eu querer ser feliz por fazer e está onde eu vou ser melhor, vou ser finalmente eu? Porque eu querer ser independente é sempre um problema?
Não to me jogando na forca, nem do precipício. Só quero um pouco de adrenalina nessa viagem em meio a um paraquedas.
Sonhei que sairia daqui. Que realizaria finalmente meu sonho de criança, ir para o mundo sem muito peso, porém com uma grande bagagem. Hoje entendo porque não me libertei antes. Não era a hora.
Mas a hora chegou. A hora de conhecer um novo mundo, uma nova forma de viver. A hora em que finalmente estou pronta para me encontrar - ao menos uma parte de mim, espero. Não sei se ali estará todos os meus pedaços, se completarei todos os meus vazios. Arriscarei.
Me jogarei de olhos bem abertos. Não quero perder os pequenos detalhes.
Parem. Não me venham mais com 'você está trocando o certo pelo duvidoso', 'você está com cinco períodos na faculdade, está na metade, não há como parar agora, é loucura', ' você vai se arrepender de ir sozinha', 'você tem que aprender isso já que vai está longe', 'não vai ter mais quem faça por você'... Parem.
Vocês não sabem, mas desde os meus 10 (dez) anos peço ao Superior a oportunidade de ir para o mundo a fora e conquistar TODOS os seus espaços. Nasce com isso. Entendam. Cheguei ao ponto de atirar no exército, me privar por 2 (dois) anos em um internato militar por achar que estava perdendo todas as oportunidades que eu tive. Pedi muito, quase exigi minha liberdade. Implorei por ela. Durante noites afins lutando com o sono e o pensamento de conquistar o mundo.
Parece maníaco um pensamento assim, mas para finalmente me achar sou capaz disso. Preciso me completar, e por fim me transbordar para em fim me sentir ... eu, eu sem interferências invasivas, dolorosas... sem tentativas de obrigar a me moldar a como todos me esperam.
Ponto de funga, sonho, ideal, loucura, arriscado, perda de tempo ...  rotulem, me julguem. Mas caiam na real que a louca aqui vai se realizar, vai ser feliz e transbordar. Vai ser. Finalmente, vai Ser.
Vou ser várias. Vou ser principalmente, saudade.
Saudade, vai ser nome, sobrenome, apelido... vai ser vício, vai ser vital.
Vou com uma parte completa, mas cheia de saudade. Vai meio vazia, então.
Sentirei, e já sinto uma saudade absurda. Não pense que não.
Desde quando acordo até quando vou dormir, tudo é saudade. Vou sentir saudades de acordar e olhar ao lado e ver minha implicância acordando com seu humor difícil, mesmo sendo acordada com tanto carinho. Vou sentir saudades de quando sair do quarto e ir ao banho, ver meus pilares sentados a mesa tomando seu desjejum, ou ouvi-los sussurrar na sala ao som da notícia matinal local. Sentirei saudades de sentar pela manhã a mesa e ter tudo posto a minha espera.
Vou sentir saudades de sentar ao carro, rumo ao trabalho, ouvindo melodias escolhidas a dedo pelo primeiro homem da minha vida. Saudades de entrar na sala de trabalho e falar bom dia, 'quais as novidades?' ou 'o que tenho de fazer hoje?'. Saudades do meu chefe, meu segundo pai, com seu sotaque carionense (RJ + PI).
Sentirei saudades de chegar em casa apos o expediente, sentar frente a TV e almoçar tranquilamente. Saudades da noite chegar e junto com ela minha pequena e linda implicância. Saudades de ficar reunida noites a fins com meus amores, meus mimos, meus melhor amigos, conversando, rindo, brincando e até mesmo discutindo, brigando.
Saudades de chegar a noite em casa e ir direto ao quarto de minha rainha, e ver como ela está e ter a certeza de que ela estará la - sempre.
Não tem do que não sentir saudade. Tudo vai me fazer falta. Mas tudo vai ficar como está, porque é tudo que tenho. É tudo que vou levar, preservar.
Vou sim. Vou, construir meu lar, minha vida, meu amor. Construir, construir, construir...
Farei um mundo, farei meu mundo - e de quem quiser e merecer fazer parte.
A certeza de que eu tenho é que será uma grande luta, e que cada batalha vai ser vitoriosa, mesmo que perdida, mesmo que fria, empatada.
E mais uma certeza é de que eu irei fazer tudo com amor, por amor, para o amor ... e serei em fim, feliz.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Devaneios de uma mera aquariana

Meu bem, não se surpreenda com as minhas mudanças de hábitos, estilo, opinião. Sou adaptável ao momento, na verdade sou adaptável a minha vontade.
É isso que sempre vai prevalecer. A minha vontade.
Não adianta me dizer o que fazer, como fazer, a hora que fazer... não funciono assim ... só funciono para mim. Não é egoismo da minha parte eu me preservar e eu ter vontade própria, e pensamento próprio. Mas o que eu aprendi mesmo, aos troncos e barrancos foi adquirir Amor Próprio.
Me preservo quando acho necessário, me jogo quando me entedio. Quando a zona de conforto já não é tão confortável assim.
Estou sempre em busca do novo, do diferente. Mas acho que eu amo mesmo o comum, aquele perdido no tempo sabe? Antiquada. Sim. Talvez. Só quando se trata de sentimento.
Mas sentimento é algo que já não sei bem o que é. Não sei mais como gostar de alguém, como querer conquistar. Esse lugar já me bastou. Preciso de um novo urgente.
Preciso de alguém que me mostre que vale apena. Preciso de uma vida que é minha, mas que eu tenho vontade e prazer em querer dividir e multiplicar.
Será que na turbulência que é minha vida eu perdi o coração? Ou só os sentidos entraram em pani? Não sei  bem se tem volta, conserto ou qualquer coisa de encaixe. Já deixei nas mãos de quem sabe. Quem sabe?
Tenho o pieguismo dos românticos, acredito na metade da laranja, limão, melancia ... qualquer metade. (risos) Só acredito que eu terei a minha. Ao menos espero.
Não custa né? Acreditar um pouco. Vai que acontece.
Não é pecado e nem loucura da minha parte, eu um ser livre que não se contenta em ficar preso, que tem a liberdade em si, querer alguém pra compartilhar a estrada né? Não quero nada amarrado, preso, possessivo. Eu preciso de espaço pra ser feliz, pra fazer feliz. Amar, e ser amada.
É preciso de espaço, e não de uma gaiola. Assim eu perco meu canto, a minha alegria.
Ande ao meu lado apenas, nem a frente e nem atras. Só do lado.
Aceita??


domingo, 11 de agosto de 2013

"You either have the feeling or you don't..." (Ou você tem o sentimento ou não tem.)


Eu nunca tive um coração partido. Não diretamente. Não que a pessoa responsável soubesse. Reformulando. Eu já tive o coração partido diversas vezes, mas a dor sempre foi só minha. Eu me apaixono pelas pessoas, mas elas não sabem disso. Eu desapaixono e elas continuam sem saber. Elas me desapontam e nem se dão conta. E é assim que eu vou: eu, eu mesma e meu coração partido.

Mas essa sou eu e o meu histórico de frustrações amorosas não interessa aqui. Em Por Isso a Gente Acabou vamos conhecer a história da Min Green e do Ed Slaterton. Ela teve seu coração partido, mas a pessoa responsável soube disso. Não é Ed? Ah, Ed! Como eu gostaria de ter visto a sua reação ao receber a caixa e ler a carta da Min...

"Estou contando porque a gente acabou, Ed. Estou escrevendo, nesta carta, toda a verdade sobre o que aconteceu. E a verdade é que, porra, eu te amei demais." — Página 9

Ed e Min tiveram um relacionamento curto, porém intenso. E quando tudo chega ao fim, a Min resolve devolver todos os objetos que, de certa forma, marcaram o relacionamento dos dois. E junto com os objetos ela manda uma carta, nesta carta ela explica a importância de cada objeto e os motivos que os levaram a terminar.

A narrativa desse livro é contagiante, rápida, descontraída... Perfeita. Min tem um senso de humor incrível e mesmo quando fala sobre coisas não-tão-boas-assim ela não deixa o seu lado cômico de lado. Ela é inteligente, faz piadas cult e sonha ser diretora de cinema — isso faz com que o livro seja repleto de referências a alguns filmes, referências estas que são todas fictícias. O que é uma pena, pois, fiquei com muita vontade de assistir aos filmes citados. A forma como ela descreve o Ed é a maneira que uma típica adolescente apaixonada descreveria, então, fica difícil não achá-lo fofo, querido, amável. Afinal, é assim que ela o vê — ou via. 

Como eles terminaram, é de se esperar que alguma coisa tenha dado errado. Mas o motivo do término só nos é revelado nas últimas páginas. Então, confesso que durante a maior parte do tempo eu torci pra que existisse alguma forma de eles não terminarem. Eu realmente torci por eles. Eu queria que tivesse dado certo. A vontade que eu tinha era de chorar e rir em cada página.

" 'Te vejo segunda!', você gritou, como se tivesse acabado de descobrir os dias da semana. A gente achou que tinha tempo. Eu acenei mas não podia responder, porque finalmente tinha me permitido sorrir tanto quanto eu queria a tarde inteira, a noite inteira, cada segundo de cada minuto com você, Ed. Que merda, acho que eu já te amava. "— Página 72

O livro é cheio de ilustrações, isso torna a leitura ainda mais dinâmica. Os personagens secundários são muito bem construídos e são essenciais para o desenvolvimento da história. Dentre os personagens secundários o Al, melhor amigo da Min e a Joan, irmã do Ed, foram os que mais me cativaram.

"Eu acabaria com qualquer dia, todos os dias, por essas longas noites com você, e foi o que fiz. Mas é por isso que já estava condenado, bem ali. A gente não podia ter só as noites de magia zumbindo pelos fios. A gente tinha que ter os dias, também, os belos e impacientes dias que estragavam tudo com os cronogramas inevitáveis, os horários obrigatórios que não cruzavam, os amigos leais que não se gostavam, os absurdos imperdoáveis rasgados da parede independentemente das promessas feitas depois da meia-noite, e foi por isso que a gente acabou."— Página 94.


Certa vez ouvi a seguinte frase: "até o amor que não compensa é melhor que a solidão". Não lembro quem disse, onde ouvi ou se li por aí... Mas nunca consegui esquecê-la. Há quem concorde, há quem discorde. Eu discordo, sou acostumada a ser sozinha e não acho que vale a pena aguentar alguém só pra ter companhia. Mas o problema é que, na maioria das vezes, não sabemos se vai valer a pena. A gente tem que pagar pra ver, não é Min?

Seja como a Min — não seja como eu! — amem como se não houvesse amanhã, diga eu te amo quando realmente sentirem isso, se permita viver. E se com isso vier um coração partido, sabe o que você faz? Junte tudo que te traz lembranças, coloque numa caixa, escreva uma carta, chame o seu melhor amigo e jogue essa caixa na porta do seu ex. tump! Resolvido. É melhor viver e ter o que se lembrar — lembranças boas e ruins, sim... — do que ficar apenas imaginando como teria sido se você tivesse arriscado. 
                                                   
                                                     Por Isso Que a Gente Acabou - Daniel Handler

PS: Sim! Pra quem ainda não sabe, Daniel Handler é Lemony Snicket, o autor das Desventuras em Série.

A nossa vida só pára pra recomeçar novamente.

Do que já doeu, já sufocou, já foi insuportável e jurou que nunca ia passar, só restou lembrança. Junto da sensação de que todas as coisas eternas passam, e não há nada que seja infinito, a não ser o que se está vivendo no momento. Porque tudo não tem um fim, até ter: quando dor é cessada e inesperadamente suportada, quando as promessas são quebradas, as palavras perdem o sentido e os amores se vão. E a graça disso tudo é que você sempre vai estar pronto pra mais, mesmo pensando lá atrás que nunca esteve pronto pra nada. Sempre está. E sempre vai estar. A nossa vida só pára pra recomeçar novamente.



segunda-feira, 29 de julho de 2013

Ela conversava olhando pros meus olhos. Eu olhava pros seus pés descalços. Em parte porque eu queria evitar seus olhos, parte porque seus pés eram maravilhosos. Os dedos irregulares e tortos, que se contorciam ao andar. Um passo delicado e brusco. Incerto e seguro. Ela dizia que os dois anos de balé tinham sido uma total perda de tempo, eu achava que resultaram num dos mais belos paradoxos.
-Você poderia olhar pra mim? - ela perguntou rindo. 
-Tente chamar mais atenção do que seus pés.
-Não consigo. Eles são espetaculares. Certo?
-Em absoluto.- Falei encontrando seu olhar. 
 Me perderia nela dos pés a cabeça.